Crítica: O Regresso

2 de fevereiro de 2016

O Regresso

Alejandro González Iñarritu ganhou ano passado o prêmio de Melhor Filme. Ele dirigiu Birdman e conseguiu levar a estatueta. Este ano, Alejandro está indicado novamente, mas dessa vez por um filme BEM diferente de seu antecessor. O Regresso tem mais de 10 indicações ao Oscar, e acredite meus amigos… Todas elas são incrivelmente merecidas! Iñarritu tem muito a mostrar e pode surpreender e ganhar novamente o prêmio este ano. Me siga e veja o porquê.
1822. Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald, que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

O maior mérito de O Regresso é o poder que o filme exerce no espectador. O filme é claustrofobicamente imersivo. É agoniante! A atmosfera que rodeia o filme é de uma precisão invejável e todo o ambiente é fabuloso. Meus olhos se enxeram de lágrimas em determinadas cenas, pois o que eu estava assistindo era, nada mais, do que arte. Arte de verdade! Logo em seu início O Regresso mostra que, acima de tudo, é um filme artístico. Mas não pensem, nem por um momento, que isso tira seu poder de entretenimento.

A história vai tomando rumos imprevisíveis e dolorosamente segmentados. Os personagens sofrem de maneira esdruxula e a verossimilhança e a impecabilidade do roteiro é mostrado em cada take. Leonardo Di Caprio está monstruoso de tão bom. Sim! Ele merece – e vai, eu espero – ganhar o Oscar de Melhor Ator. Leonardo nos brinda com uma das cenas mais horríveis e bem executadas dos últimos tempos. Uma cena que me deixou sem respiração e me fez soar de nervoso. Um acerto gigantesco de edição, design e, é claro, talento do ator.



A medida que a trama avança, o filme vai se arriscando em territórios um pouco mais conceituais e flui bem, mas o desenrolar de tudo é dado bem lentamente. O Regresso tinha tudo para ser só um filme para agradar a academia, mas foi muito mais que isso. Todas as questões técnicas e núcleos do enredo. Tudo! Tudo é muito bem arquitetado. Nada é deixado de lado em mérito a algo maior. Aqui as coisas são grandes em igualdade. Isso é o que mais encanta, sem dúvida.

O que chama a atenção é o local em que o filme foi gravado. É um elogio aos olhos. Todos os movimentos de câmera e as escolhas de locações são muito precisas. Nunca eu tinha assistido a um filme que me fizesse passar tanto frio na vida. Eu via como o personagem de Leonaro Di Caprio estava sofrendo e aquilo me arrepiava a espinha. Custo a acreditar que nenhuma técnica de iluminação foi usada, porque olha… Um dos filmes mais belos visualmente falando que já assisti. E isso não é pouca coisa.




O filme comete apenas um deslize, e infelizmente ele me incomodou um pouco. O personagem de Leonaro Di Caprio sonha com sua mulher às vezes – algo bastante comum em filmes do estilo de O Regresso. Isso me incomodou. Além de não fazer muito sentido para toda a trama em si, os sonhos e as alucinações ficaram um pouco forçadas e jogadas de qualquer jeito na história. O final não me desagradou, mas também não me deixou feliz, justamente por envolver esse elemento que citei.

Você pode pensar que o filme é todo sobre a busca de um homem a vingança, mas não… O Regresso é um filme sobre erros e falhas do ser humano. Um filme que mostra como o amor pode fazer mal e como ele corrompe as pessoas. Fiquei arrepiado com determinadas cenas, justamente pelo êxito que o roteiro conseguiu alcançar ao me mostrar essas mensagens. O Regresso é um filme sobre o encontro do homem com seu espírito. Sobre o homem e a natureza.



Não são paletas de cores bem escolhidas ou um design impecável que fazem de um filme perfeito. Isso é apenas um complemento útil e necessário. Um elemento que ajuda a contar a história e O Regresso demonstra isso em cada ato. A película é um compilado de acertos em forma de um roteiro belamente adaptado e uma direção cuidadosa. Com atuações fortes e cenas mais marcantes ainda, o filme é sem dúvida uma das melhores coisas do ano passado e é um fortíssimo candidato ao Oscar 2016.  

2 comentários:

  1. Adorei isso de postar sobre os filmes do Oscar, vou começar a acompanhar aqui no blog \o/ Todo ano eu tento assistir o máximo de filmes que posso da premiação, e sinceramente espero que esse ano o Leonardo DiCaprio ganhe. Ele merece e muito, quando vi o trailer desse filme já sabia que a coisa ia ser boa. Também fiquei surpresa por eles não terem usado nenhuma técnica de iluminação :O
    Thaís na Cidade

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    Respostas
    1. Será ótimo ter você conosco Thaís.

      Leonardo deve ganhar mesmo! Se não ganhar será uma injustiça.

      Obrigado pela visita!

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