Call Me By Your Name e o Peso do Amadurecimento

4 de janeiro de 2018

Nos primeiros minutos de Call Me By Your Name, filme do italiano Luca Guadagnino, já fica claro ao espectador a áurea que rondará a película até seu desfecho. Por intermédio dos eufemismos narrativos e delicadeza de ínfimos detalhes, é que Elio e Oliver desfrutarão sua linda história de amor. A diligência nas minúcias, como: roteiro, direção, montagem e ambientação é que difere este de qualquer filme convencional.
Membro de uma família de intelectuais, vivendo em uma região tranqüila e aconchegante da Itália, Elio é o típico jovem entediado em plena puberdade. Articulado, entretanto reservado, o mistério ronda o personagem na primeira hora de filme. Não sabemos ao certo o que esperar do furtivo garoto... Até a chegada de Oliver! 

Interpretado magnificamente bem por Armie Hammer, o sujeito charmoso e provocativo que chega à casa do garoto balança as estruturas de todos daquela casa. O filme mostra muito bem como Oliver representa uma nítida mudança na vida de todos ali. Talvez porque, justamente o reservado e mal humorado Elio sofrerá, bem ou mal, com a presença dele ali. O florescer de uma forte paixão!

A construção da intimidade do casal está diretamente ligada à liberdade e a natureza do local onde estão inseridos. O diretor não polpa minutos para explorar a belíssima ambientação do filme, e transforma o tédio em aventura. Impressionante é assistir cenas e mais cenas de personagens lendo, rindo, balbuciando coisas eruditas quaisquer e não ficar entediando vendo aquilo. Tais acontecimentos aparentemente desnecessários de nos serem apresentados fomentam logo depois o que virá após o turbilhão de sentimentos vividos pelos dois.

Armie Hammer (Oliver)
Representante oficial do filme, além de que intérprete inanimada de diversas cenas, o pêssego (sim, a fruta) está presente em grande parte das cenas mais quentes. A sensualidade carregada em símbolos conduz com maestria momentos de intimidade dos personagens e toda essa ‘libido’ marca presença nas 2h e meia de filme; Repare nos longos frames de Elio sem camisa, por exemplo.

O fatídico final desagradou muitos, todavia mostrou-se coeso e bem executado. O destaque, porém, não fica nos ombros do desfecho do casal, e sim no belo discurso do pai de Elio para o garoto. Apesar de já esperado, o diálogo entre os dois emociona pela delicadeza fruto da carga intelectual acumulada do pai. O filme trabalha muito bem a maneira como a cultura e o aprendizado nos tornam indivíduos únicos e abertos. O que é importantíssimo para todo o contexto do longa-metragem e da vida como um todo, além de abrir espaço para uma forte identificação de seu público. Jogada genial do roteiro!
"O tempo nos torna sentimentais. Talvez, no final, é por causa do tempo que sofremos "
Deixando-nos com uma música melancólica, o projeto se despede do público de forma serena. A trilha sonora integrada por lindas canções – originais – acústicas, ou não, é mais um ponto alto de Call Me By Your Name. Quem se aventurar pelos longos minutos de duração aqui, não encontrará a história mais original do mundo, muito menos lições de vida que ficarão pro resto da vida, mas sem dúvida estarão de frente com arte da melhor qualidade. Uma história contada em nuances e saturada do velho e bom amor... E como ele machuca viu!

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