Camila: O Surgimento de uma Estrela

12 de janeiro de 2018


Foi em 2017, quando Camila anunciou seu álbum solo, que todos os olhares se direcionaram para a garota. Conseguiria ela quebrar a maldição da integrante de girl band e fazer sucesso solo? Todos os ex-integrantes do One Direction conseguiram... Mas bem, eles eram infinitamente mais populares: e eram homens! Isso em uma indústria machista faz toda a diferença. Meses se passaram e o que parecia perdido após o lançamento de um duvidoso single: ' Crying In The Club', se transformou. Após Havana surgir a música quebrou recordes de gigantes, como Taylor Swift e Katy Perry, e derrubou o marco que era de Adele, com Someone Like You. Era só questão de tempo até o álbum vir à tona. Pois bem...
Somos apresentados ao trabalho dela da melhor forma possível. Never Be The Same é o tipo de faixa inteligente, diferente e sonoramente desafiadora. Tem um dos refrões mais pop's do disco, entretanto não deixa de ser bem arquitetada. É interessante como ela trabalha os vocais dessa música, colocando emoção nos momentos necessários e deixando marcado no ouvinte exatamente o que ele espera de uma canção com um conteúdo lírico tão forte como esta. Um acerto e tanto! E uma faixa com enorme potencial de hit.
Logo após, chegamos a All These Years, e gente... Que coisa mais linda. Não é nada inovadora e muito menos imprevisível. O que te ganha é a forma como a letra possibilita com que nos identifiquemos com toda a narrativa. Logo na 2° música do disco é possível perceber como Camila quis ficar perto de seu público e como todo o trabalho de marketing trabalhou  justamente para deixar as letras, arte e conceito próximos de quem a consomem. Um ótimo momento acústico!

Gostaria de mais She Loves Control no disco, porque já é a melhor música da curta carreira de Cabello! Com fortíssimas e esperadas influências latinas, o som vai contra essa onda chata de reggaeton que estamos ouvindo nas rádios ultimamente, e apresenta um diferencial que surpreende. É sensual, intensa, suave e marcada por uma interpretação digna de aplausos. Caliente Camila, caliente!
Havana, ooh na na! Estamos com este álbum em mãos graças a essa pequena pérola. Música que moldou todo o conceito artístico do que Camila acreditava ser o correto, e deu a ela uma nova chance junto à gravadora que já apresentava descrença com seu trabalho. Apesar de repetitiva, é irresistível. Um hit pronto para os ouvidos e as pistas de dança. É a mais radiofônica do registro e uma das maiores músicas de 2017.
Safadinha e clichê, Inside Out é o pior e único erro grotesco de Camila. A faixa é previsível do início ao fim. Tem uma sonoridade nada alegre aos ouvidos, apostando em uma melodia batida e liricamente péssima! Poderia fácil figurar no pavoroso álbum intitulado de sua antiga girl-band. Até fiquei esperando a participação de uma das meninas nessa música... Tsc Tsc!
Como todo álbum pop formulado, sempre uma balada no piano se faz necessária, e aqui Camila acerta em cheio. Consequences é um número emocionante e sincero de dor de cotovelo e saudades. Novamente doada de uma interpretação admirável de Cabello a música se parece com algo que ouviríamos de Adele (caso a letra fosse mais dolorosa) e em qualquer disco de Taylor Swift. Uma das minhas favoritas... EU AMO AQUELES AGUDOS!
Justin Bieber explodiu e recebeu até indicação ao GRAMMY com uma faixa good vibes acústica despretensiosa, e Camila (e sua gravadora) que não são bobos nem nada, apostaram em uma dessas pra figurarem no álbum. Continuo preferindo a de Bieber, porém Real Friends é genuinamente deliciosa. Gruda na cabeça, tem um refrão que te acaricia enquanto você toma um bom drink (haha) naquele solzão das 16:00 da tarde. Além de tudo, a letra fala daquelas amizades que só estão ao nosso lado quando tudo é lindo e maravilhoso. Quem nunca teve um falso ao lado, em? É #1 sem dúvida.


Something's Gotta Give repete o clichê da midtempo de álbum POP, mas particularmente é uma das minhas favoritas. Achei intensa! Falta espontaneidade nos discos que ouvimos atualmente, e aqui a emoção fala mais alto e ela nos presenteia com uma verdadeira 'música de choro'. Já tenho a candidata à música bad 2018, haha.
O momento mais experimental do disco chega com In The Dark, faixa produzida por Antonoff, queridinho de Taylor e Lorde. Estou tentando entender como Camila não apostou nessa sonoridade em mais momentos de seu disco. A letra é coesa, a melodia inova ao trazer batidas metradas em uma música que inicialmente se assemelharia a Real Friends. Os vocais soturnos, meio abafados... Uau! E o refrão! Faltaram refrões marcantes aqui, concordam? Adoraria mais umas duas faixas como esta antes do fim do registro...
Todavia damos adeus ao primeiro trabalho de Camila através de Into It. Durante uma entrevista a uma rádio americana ontem, ela disse que teve muita dificuldade de escolher a ordem das músicas do álbum. Vejo que a prolixidade no ato não obteve tanto resultado, pois Into It como música de encerramento não foi uma decisão sábia. É uma música clichê e sem atrativos, além de um número marjoritariamente mais POP que o resto do trabalho. Já que ela optou por não excluir a música do CD (não faria falta) eu jogaria ela no lugar de Real Friends na TRACKLSIT e deixaria a outra pro encerramento. Vai entender!


Não vamos considerar a versão editada de Never Be The Same, ok? Encher linguiça é até aceitável quando não se tem tantas boas ideias, mas fazer isso... Aff.
Em seu 1° álbum de estúdio Camila não inova. As influências latinas estão aqui. Desde a capa, ao intrumental, entretanto não povoam tanto o álbum como eu gostaria. Quando a fazem, entregam músicas incríveis, como Never Be The Same e She Loves Control. Senti que faltou mais sal no disco. Um pouco mais de alma! Senti falta dos refrões explosivos e uma ousadia mais maleável ao longo das pouquíssimas faixas. O esmero e cuidado na produção das fórmulas atrapalharam um pouco a liberdade da artista.
Não é um trabalho ruim! Passa longe. E isso, pra um primeiro trabalho feito e refeito as pressas, é um mérito e tanto. Camila passa de mediano, é um ótimo trabalho, com momentos fracos e esquecíveis. Entretanto, o que brilha aqui, é realmente ouro. Aguardo o clipe de Never Be The Same, In The Dark e She Loves Control. Não me decepcione fada cubana e bem vinda ao amargo e luxuoso mundo da música (solo). Seu ‘debut’ fará parte das minhas ‘playlists’ por um bom tempo. Já era hora de deixar esse talento brilhar como merecia.

2 comentários:

  1. Pensei a mesma coisa quando você disse que tem pouca influência latina no disco, também estava esperando mais músicas no estilo Havana, pois foi aí que me apaixonei pela carreira solo dela e vi que ela está no caminho certo. Porém, senti falta de Crying in the Club, I Have Questions e OMG. Mas acho que Camila entregou um trabalho bom. Nos resta ver quais serão os resultados!

    Adorei o post!

    Beijos
    Inverno de 1996

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    Respostas
    1. Me surpreendi com a pouca influência latina... Também estava achando que seria algo bem latino. Eu não gosto de Crying in The Club, entretanto I Have Questions é belíssima. Mas pensando bem... Talvez ela não ficaria tão coesa no álbum, já que a proposta mudou, entende? Obrigado pelo comentário <3

      Abs

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